Protocolamos esse projeto junto a Câmara dos deputados Estaduais MT no dia 23 de agosto de 2023 e fomos contemplamos!
Segundo a EMBRAPA, Trilha
Ecológica é o caminhamento dentro da área de preservação permanente (APP) que
permitirá a interação com esse ecossistema, além de estimular o público a
refletir sobre a importância da conservação ambiental. Nela o público, através
de caminhamento, contemplará as espécies nativas que compõem a área alvo e
entenderá qual a função dessas áreas para o equilíbrio da produção no cenário
rural.
As trilhas ecológicas tem sido
uma das práticas de turismo mais procuradas por visitantes, que visam aprender
e conviver com a Educação Ambiental, e com isso proporcionar aos usuários,
turistas de aventura e ecologia bem como educandos ferramentas para que os
mesmos possam contribuir no processo de ensino e aprendizagem. No caso presente, dada a grande inclinação do
morro, tora-se evidente que a melhor opção é a de uma escadaria intermitente.
Para a elaboração deste
anteprojeto foram feitas visitas in loco para diagnóstico da área onde a trilha
seria implantada com o intuito de manter a segurança dos visitantes e a
preservação da área.
Pretende-se com a definição de
orçamentos e após aprovação de financiamento das datas em que seriam realizadas
as vistas para implantação da trilha ecológica será possível a implantação da
trilha-escada ecológica com a finalidade de transmitir conhecimento ao
visitante em relação ao meio ambiente, visando buscar a sustentabilidade do
local e levando a população a ter um contato direto com a natureza,
proporcionando não só um aprendizado, mas uma conscientização ambiental.
Destarte, a implantação da trilha permitiu que os visitantes percebessem quais
os benefícios da preservação da vegetação nativa . O equilíbrio e a preservação
ambiental será o foco em todas as etapas da implantação. Para tanto, será
realizada a limpeza da área de implantação da trilha, colocação de corrimões
nas áreas mais íngremes, placas identificando as árvores do cerrado e cordas
para auxiliar na identificação do trajeto.
Predomina na área o bioma cerrado, o qual segundo a EMBRAPA tem
ocupado 207 milhões de hectares, que equivale aproximadamente, 24% do
território nacional. É o segundo maior bioma do País, e uma das 25 áreas, no
planeta considerado mais rico e prioritário para a conservação. No cerrado, são
encontrados, aproximadamente 12 mil espécies vegetais, das quais 35% são das
áreas savânicas, 30% das florestas, 25% de áreas campestres e 10% ainda
precisam ser mais bem, estudadas quanto à sua distribuição original, pois podem
ocorrer em mais de um ambiente. A fauna do cerrado é rica, apresentando 199
espécies de mamíferos, 837 espécies de aves, 180 de répteis, 150 de anfíbios,
1.200 de peixes e 67.000 de invertebrados. Em áreas antropizadas, a velocidade
de conversão de áreas nativas do cerrado causa a perda de pelo menos 55% da
paisagem original do bioma.
O Morro de Santo Antonio como
patrimônio geológico tem a peculiaridade de ser uma colina isolada de outros
morros ou montanhas, sendo resíduo de outras eras e, portanto, merecedor de
estudos, além de florísticos e faunísticos, também na área da geologia.
A valorização desse bioma tem
sido conseguida por orientações sobre propagação, plantio e aproveitamento de
espécies nativas para o manejo de plantas nativas em seu ambiente natural
(cerrado em pé), ou em plantios cujo objetivo é diversificar a produção,
recuperar áreas degradadas, recompor o bioma onde necessário cerca de 67% da
vegetação nativa do cerrado já foram de alguma forma modificada, com apenas 20%
encontrando-se em seu estado original. E um dos fatos que mais aumentam a
preocupação quanto ao futuro do bioma, é que o cerrado não está incluído na
Constituição Federal como patrimônio nacional como estão a Mata Atlântica e a
Floresta Amazônica. Por estes motivos, o cerrado é hoje considerado uma das 25
áreas do mundo prioritárias para a conservação. No entanto, possui apenas 3% de
sua extensão original protegida em parques e reservas federais e estaduais, com
áreas inferiores a 100.000 hectares. As transformações ocorridas no Cerrado
também trouxeram grandes danos ambientais – fragmentação de habitat, extinção
da biodiversidade, invasão de espécies exóticas, erosão dos solos, poluição de
aquíferos, degradação de ecossistemas, alterações nos regimes de queimadas,
desequilíbrios no ciclo do carbono e possivelmente modificações climáticas
regionais. Afirma Embrapa [s.d] que:
Tais ameaças têm sido observadas no cerrado brasileiro que apresenta grande
área desmatada para a implantação de atividades agropecuárias. Uma das formas
de diminuir tais ameaças é desenvolver a Educação Ambiental.
As trilhas podem ser
utilizadas como forma de interpretação do meio ambiente. Através da sua
utilização, percebe-se o valor da natureza, assim como sua conservação,
expandindo a perspectiva do visitante. Além de interpretar, a atividade busca
mudar a postura do ser humano perante a natureza. É preciso sensibilizar os
visitantes levando-os a observar, sentir, experimentar, refletir, questionar e
descobrir o ambiente, estimulando grupo, fazendo com que usem os sentidos.
Interpretar a natureza não é apenas a obtenção de informações, mas, com
significados, a busca em firmar conhecimentos, criar perspectivas, suscita
questionamentos, despertar para novas perspectivas, trabalhando a percepção, a
curiosidade e a criatividade humana. (SILVEIRA, 2009, p.02) Trilhas são eficientes quando voltadas à
Educação Ambiental e Sustentabilidade, sendo que a maneira como a educação
atual configurou-se foi voltar-se para o meio ambiente, procurando despertar a
humanidade perante a degradação da natureza.
O morro de Santo Antonio se situa no município de Santo
Antonio de Leverger, foi tombado por sua importância cultural mediante a LEI
Nº 8504, DE 09 DE JUNHO DE 2006 - D.O.E. 09.06.06.
O Monumento Natural Morro de
Santo Antônio, localizado no Município de Santo Antônio do Leverger (27 km de
Cuiabá), é um dos pontos turísticos mais conhecidos de Mato Grosso,
especialmente para quem é adepto de trilhas ou outras atividades ao ar livre.
É um dos maiores símbolos
históricos e culturais de Mato Grosso. Tamanha importância colocou a a imagem
do pequeno morro que surge no meio deuma
planície no Brasão de Armas do Estado de Mato Grosso, já que este acidente
geográfico servia de orientação aos viajantes que queriam chegar em Cuiabá. O
local se tornou uma Unidade de Conservação
em junho de 2006
É usado geralmente frequentado
de forma desorganizada por por trilheiros e amantes da natureza principalmente
devido a sua beleza cênica, sendo também utilizado por movimentos religiosos de
diferentes confissões para reuniões e cultos visando abençoar a região vista
dali, especialmente Cuiabá, mas também como forma de usar a trilha íngreme como
sacrifício pessoal dos fiéis ofertado á(s) divindade(s).
Hoje, o que existe neste
patrimônio natural e cultural é um uso desordenado e em sua maior parte clandestino,
ou seja, fora dos parâmetros estabelecidos para o uso sustentável, com trilha
improvisada, aberta pelos próprios usuários, em estado de relativa degradação,
com enorme dano ambiental na base do morro, causada pela água que desce em
velocidade e sem controle do morro;
Este projeto nasce com
aspiração à emergente criação dos direitos de natureza transindividual e
universal, que visa à estruturação dos meios de acesso e uso de trilha no morro
de Santo Antonio, com proteção do meio ambiente, controle da degradação
ambiental já existente e construção de trilha devidamente estruturada com
calçada, corrimões dos dois lados, e guarda-corpos onde necessário, medidas de
mitigação da erosão mediante condução e
controle de águas pluviais e mirantes
Projeta-se como um dos valores constitucionais
importantes e de responsabilidades de todos, assim como dispõe o artigo 225 da
Constituição da República Federativa do Brasil, “Compete a qualquer cidadão por
sua proximidade ao meio natural, zelar pela boa qualidade de vida preservando o
meio em que vive”.
A construção desta trilha deve
ser estruturada de tal forma que a população e os visitantes tenham um contato
com este “santuário” sem afeta-lo e ao mesmo tempo gerando renda para
mantê-lo. Pretende-se não derrubar nenhuma árvore ou arbusto e sim revitalizar estas áreas com plantio de
essências nativas até mesmo como um dos recursos para conservação da trilha.